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O Corujaqueira
permanece em constante busca de assuntos e pessoas interessantes que
tem algo legal para dividir conosco.
Desta vez fomos conversar com um apaixonado
pelas bicicletas e também pelo Corujaqueira. Um ciclista atencioso
e muito presente em nossos passeios. Muitos de vocês já
observaram ele pedalando em suas máquinas extraordinárias
e sempre muito bem cuidadas.
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Assim, damos mais uma vez continuidade a
mais um projeto do Corujaqueira. Aqui podemos conhecer melhor algumas
pessoas que pedalam conosco semanalmente e que fazem o Corujaqueira acontecer.
Como sempre um espaço para um bom PAPO CORUJA.
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Nesta segunda edição, em outubro
de 2008, um papo com Stefan Welkovic, colecionador de bicicletas antigas
entusiasta e integrante do Corujaqueira desde 2005. Curtam bastante! |
Corujaqueira
Ciclismo
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Temos que fazer uma breve apresentação para todos conhecerem
a personalidade que entrevistamos. Stefan Welkovic, cinqüenta anos,
nascido em pleno agreste pernambucano, precisamente em Caruaru. Filho
de um ioguslavo que criou-se na Áustria e veio ao Brasil apenas
a passeio em 1951. Apaixonando-se e fincando raízes por aqui. Stefan
é médico e casado com a também médica Walméry
Braga Castanha Welkovic, sendo pai de três filhos, Bárbara,
Bernardo e Stefan Jr. Colecionador de bicicletas há mais de 20
anos, tem um acervo invejável, sendo também um dos freqüentadores
mais assíduos do Corujaqueira. Amante da boa musica, de belas-letras
e de um bom vinho, deixa aqui quase que um histórico de como "nasce"
um colecionador de bicicletas. |
Papo
Coruja – Stefan, O que fez despertar sua paixão
por bicicletas antigas? |
| Stefan
- Quando adolescente, ganhei uma bicicleta Myiata que pertencera a meu
tio. Era uma japonesa pequena, aro 24, mas tinha um desenho clássico
muito bonito. Como cresci, não deu mais para eu pedalá-la
e a encostei no depósito da loja de meus pais. Ela sumiu. Não
consegui mais adquirir uma bicicleta clássica, pois no Brasil só
são fabricadas as Barra Forte ou as que têm estilo "trilha",
com muitos recursos, mas sem muita graça para mim. Com o devido
respeito aos que as apreciam. |
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Papo
Coruja – Quando isso ocorreu?
Stefan
- Como eu gostava de ciclismo e precisava fazer exercícios físicos,
resolvi comprar uma Caloi 10 mais ou menos em 1986. Só consegui
pedalar cerca de 600 km com ela. Ela tem um velocímetro, com odômetro
de cabo, instalado desde a compra. O guidom, muito baixo, é meio
desconfortável e o selim, terrível. O ciclismo teve que
ser substituído pela natação por um bom tempo. Considero
esta bicicleta como a primeira bicicleta de minha coleção,
pois ela se encontra absolutamente original, inclusive com os pneus de
faixa marrom (caju). Além disso, por admirar seu estilo e beleza,
faço parte do Clube da Caloi 10, tendo inclusive adquirido há
pouco um exemplar da Caloi 10 comemorativo aos 110 anos da fábrica,
com numeração de quadro exclusivo. Ainda não era
a bicicleta de desenho clássico que eu queria, mas alguns anos
depois, comprei através da Internet uma Pilot 1952, já restaurada
e belíssima. Aí sim, comecei a me interessar pelas antigas.
Foi uma das poucas que já comprei pronta, pois o que eu gosto mesmo
é de restaurar a partir de exemplares "surrados", porém
com chances de ficar o mais original possível. |
Papo Coruja – Qual a bicicleta
mais antiga de sua coleção?
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Stefan
- É uma magnífica Opel de 1935, toda original, com pneus
balão, farol e dínamo Bosch, freio traseiro contrapedal
da marca Torpedo e freio dianteiro de sapata (funciona por pressão
direta na superfície do pneu, atravessando o pára-lama).
Coloquei nela, recentemente, uma cadeirinha infantil em madeira trabalhada,
da mesma época.
Papo Coruja
– Qual o exemplar mais raro que já conseguiu para sua coleção?
Stefan
- A rigor, considero todas as antigas raras. Poucas pessoas se interessam
em manter bicicletas por 50 ou 60 anos. Acredito que, das minhas, a mais
difícil de ser encontrada talvez seja a Amida, alemã, pré-guerra
(Ano 1937), pois era feita em uma fábrica pequena e não
foram fabricados muitos exemplares. Há também uma Caloi
berlineta de 1968 que é a primeira berlineta – raríssima!
E uma Triunfo, cuja fábrica foi englobada pela Monark, ambas conseguidas
através de informações de amigos do Corujaqueira.
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Papo
Coruja – Para quem tem vontade de iniciar a própria
coleção, onde começar a procurar o próprio
acervo?
Stefan
- Na Internet há sites de venda como Mercado Livre e Arremate onde
se podem encontrar uma ou outra, mas precisa se conhecer bem do assunto
para não comprar gato por lebre. No exterior tem o eBay cuja principal
finalidade é para peças, pois para uma bicicleta inteira
entrar no país é uma complicação muito grande,
além do frete proibitivo. Garimpar em bicicletarias e ferros-velhos
também é um passatempo muito interessante, principalmente
no interior. |
| Papo
Coruja – Quais são as principais etapas de um restauro?
Existe algum procedimento padrão? |
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Stefan - É necessário saber que existe "recuperação"
e "restauração". A restauração visa
fazer renascer a bicicleta nos seus moldes absolutamente originais e acessórios
de época são permitidos. Já a recuperação
permite a colocação de peças mecânicas similares,
não originais. É evidente que a restauração
valoriza a bicicleta, embora meu interesse, especificamente, não
seja financeiro. Há algumas bicicletas na minha coleção
que foram recuperadas e gosto muito delas. Isso não significa que
todas as bicicletas devam ser restauradas/recuperadas. Tenho bicicletas
que mantenho no estado que encontrei, devido à sua originalidade.
Mas, uma vez decidido restaurar/recuperar, a "magrela" tem quer
ser completamente desmontada, a pintura antiga deve ser removida, tem
que aplicar substãncias anti-ferrugem, cromar as peças (nosso
mercado local é muito carente em boa cromagem) e pintar (também
não temos bons filetadores). Atualmente meu mecânico é
Paulo, do "Rei das Bicicletas", que tem experiência de
mais de 40 anos. |
Papo Coruja –
Como se dá a busca por peças, confecciona alguma?
Stefan
- Quando não se encontra na Internet, um bom torneiro pode fazer
algumas peças. Tenho um amigo de Arcoverde (César) que já
mandou esculpir uma lanterna traseira em madeira.
Papo Coruja
- Quantas bicicletas compõem a coleção atualmente?
Stefan
-
Quarenta prontas. E ainda uma meia-dúzia esperando restauração. |
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Papo Coruja
- Sente falta de lojas especializadas ou sites sobre "vintage bikes"?
Stefan
- Não existem lojas especializadas no Brasil, a não ser
as ditas "virtuais", na Internet. Ao procurar em fornecedores
de língua inglesa é importante saber que para eles "bikes"
corresponde a motocicletas e o termo para consulta é "bicycle".
Todas as lojas/fornecedores que eu conheço estão listadas
na minha homepage. Mas o que eu sinto falta mesmo é de colecionadores
na região, para trocarmos idéias e pedalarmos juntos.
E de um clube para reunir a turma.
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| Papo
Coruja - Você participa do Grupo Corujaqueira há
alguns anos, qual o maior atrativo em nosso grupo?
Stefan - Ingressei no Coruja em novembro
de 2005, uma semana antes daquele histórico passeio de mais de
mil e duzentos ciclistas, quando ainda saíamos às terças
e quintas. Faltei pouquíssimos passeios, ora devido a viagens ora
por problemas de saúde. Uma vez torci o pé, mas mesmo assim
compareci numa bicicleta a motor, lá na "vassoura", por
causa da fumaça do motor a dois tempos e com os merecidos xingamentos.
A noite de terça-feira pra mim é sagrada. Reservada para
o Coruja, pois o grupo é muito unido, hospitaleiro e consciente
de segurança. Reforça nossa apreciação o apoio
do Detran e de termos na maioria das vezes um reboque, para as eventuais
quebras. Os guias são muito educados e solícitos. As amizades
que fazemos no grupo talvez seja o principal estimulante. Certa vez, num
passeio no qual não houve a presença do reboque, quebrei
um pedal (da década de 50) e dois amigos, Alexandre e Raimundo,
com a devida escolta de Amauri, vieram me empurrando de Boa Viagem até
o Espinheiro. A solidariedade no mundo de hoje é certamente mais
rara que minhas bicicletas, mas ainda podemos encontrá-la no Corujaqueira.
Só tenho a agradecer a vocês, por existirem. |
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| Papo
Coruja - Stefan,
nós que agradecemos pela oportunidade de mostrar a todos os Corujas
a sua bela história com as bicicletas. Já estávamos
planejando fazer isto faz tempo. Agora todos vão poder conhecer
um pouco mais sobre aquele Coruja que sempre aparece todas as terças
para pedalar com uma bicicleta bem diferente.
Visitando
o seu site e clicando em cada foto, visualizando os seus detalhes, nos
impressionamos muito mais com a beleza delas. Não conseguiríamos
eleger a mais bela. E as fotos de como algumas chegaram a suas mãos
e de como estão hoje, ficam como lição de amor e
perseverança. Esperamos que você seja um exemplo é
que desperte muitos discípulos de apaixonados colecionadores. Muito
obrigado Stefan.
Fica
mais uma dica do Corujaqueira para todos. Acessem o site de Stefan e se
deliciem com cada uma delas. Vale realmente à pena!
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* Links relacionados.
Abril 2009 - Entrevista Stefan Welkovic
Homepage Stefan - http://mq.nlink.com.br/~stefan/bicicletas.htm
Clube da Caloi 10 - www.sampabikers.com.br/?ver=caloi10/index.html
Mercado Livre - www.mercadolivre.com.br
Arremate - www.arremate.com.br
eBay - www.ebay.com
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